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O estudo da fáscia muscular vem sendo cada vez mais disseminado. Isto se deve ao fato da comprovação científica de que este tecido conjuntivo é rico em terminações nervosas. Ou seja, ela seria uma das grandes responsáveis por dar uma informação correta e precisa ao córtex motor para ativar um determinado músculo de forma efetiva. 

 

Porém Thomas Myers, um dos grandes pioneiros no estudo deste tecido tão importante, conseguiu provar que a fáscia muscular não é apenas um tecido conjuntivo, mas também conectivo. Conectando o corpo humano de superior para inferior, interior para exterior, lados esquerdo e direito, entre músculos, etc.

 

Mostrando que o corpo humano é formado por um complexo sistema de cadeias miofasciais interligadas entre si, em uma perfeita integração estrutural, levando a um movimento humano adequado e preciso. Onde qualquer músculo lesionado, ou hiperativado, ou hipoativado, pode desencadear uma reação em cadeia de compensações e dores.

 

Portanto é necessário que o corpo humano passe a ser visto de uma forma mais global e menos segmentada por áreas e músculos. Tudo tem relação e ligação, e qualquer área pode influenciar no todo. As principais cadeias miofasciais descritas por Myers são: linha superficial posterior, linha superficial anterior, sistema oblíquo posterior e sistema oblíquo anterior.

 

Além de interligar o corpo humano, estes sistemas também tem a função de sustentação da postura, pois apenas os ossos e músculos não são suficientes para mantê-la. E é aí que entramos em outro aspecto muito importante da terapia manual Miofascial, a análise de disfunções posturais.

 

Analisamos que no caso de uma dor lombar por exemplo, não basta apenas soltarmos a região da dor, isto é o que eu costumo chamar de “apagar incêndio”. Estaremos apenas tratando a consequência e não a causa. Claro que devemos tratar essa região para causar um alívio da dor, mas nós, como terapeutas manuais, temos o dever de tratar a causa.

 

Ou seja, avaliar a postura do indivíduo e perceber que ele pode estar com uma hiperlordose lombar acentuada, o que além de sobrecarregar a região paravertebral, também causará compressão do músculo quadrado lombar que também deve ser solto, pois estará refletindo neste quadro.

 

Ou que a pessoa possa estar trabalhando oito horas do seu dia sentada, o que vai ocasionar uma aderência nos flexores do quadril, que por sua vez, quando estão em sobrecarga, também refletem com dor na região lombar.

 

Portanto é fundamental que o terapeuta manual tenha a capacidade de visualizar os problemas posturais de seus clientes, para que tenha êxito em seu tratamento.

 

A liberação Miofascial acabou ficando um pouco banalizada no Brasil. Sendo utilizada por fisioterapeutas apenas para o tratamento de lesões. Ou por educadores físicos em metodologias de treinamento físico que utilizam o fun roller (rolo de liberação Miofascial) pré treino, apenas para estimular a circulação sanguínea e preparar um determinado músculo para receber estímulo e evitar lesão; e/ou pós treino para espalhar o ácido lático e lixo metabólico derivado dos treinos, além de causar relaxamento muscular.

 

Não estou afirmando aqui que está errado, apenas que a técnica de libertação da fáscia muscular pode ir muito além disso, tratando questões posturais que estão sempre ligadas a quadros de mialgia.

 

As principais técnicas de terapia manual miofascial são:

  • Compressão isquêmica, sucção (através da Ventosaterapia e/ou beliscos);
  • Fricção (manualmente ou com o auxílio do Gua Sha, Pantalas e Mioblaster).

 

Algumas ferramentas são muito efetivas na técnica de liberação Miofascial instrumental, dentre elas as principais são:

  • Ventosas;
  • Pantalas;
  • Gua Sha;
  • Mioblaster;
  • E massageador elétrico de percussão.

 

Para auto-liberação Miofascial podem ser utilizadas: bola de lacrosse, Theracane, Keitbell e fun roller. Porém, é sempre bom enfatizar que a melhor ferramenta é, e sempre será as mãos do terapeuta manual, pois carregamos a cura na ponta dos dedos.

 

As principais funções da Liberação Miofascial são:

  • Desaderência entre pele, fáscia e músculo;
  • Tratamento de Trigger Points (contraturas musculares);
  • Descompressão de terminações nervosas (dores);
  • Auxílio no tratamento de processos inflamatórios (trazendo suporte sanguíneo para região);
  • E tratamento de disfunções posturais.

 

No âmbito do movimento humano e treinamento físico, a soltura da fáscia pode auxiliar de várias formas, dentre elas:

  • Melhora da hipertrofia
  • Simetria e definição muscular;
  • Maior mobilidade articular;
  •  
  • Ddespertar de determinados músculos inibidos (ex: glúteo máximo);
  • Pré treinamento físico para maximizar a ação de um determinado grupo muscular ou cadeia de fáscia;
  •  
  • Pós treino para relaxamento muscular, auxiliando a despersar o lixo metabólico derivado do treino. Ela é uma ferramenta de resultados fantásticos na melhora de um movimento humano mais adequado e menos lesivo possível.

 

Eu como personal trainer e terapeuta manual a mais de 12 anos, não consigo mais enxergar o treinamento físico separadamente da terapia manual. Assim como não consigo entender como por exemplo, clubes de futebol com jogadores que custam milhões e tem lesões repetitivas, não são analisados postural e biomecanicamente, para que possam tratar as causas das lesões, e não apenas a consequência delas.

 

Portanto repito, “não sejam apagadores de incêndio”, não deixem que digam por aí que Massoterapia é apenas “passar óleo e massagear”. Se atualizem, estudem e busquem conhecimento incansavelmente, pois a terapia manual é uma ferramenta espetacular de extrema eficácia e fascinação, que ainda não tem todo reconhecimento que merece. E o que funciona hoje, amanhã poderá se tornar obsoleto. Não parem. Avante terapeutas manuais!

 

 Por Roger Rocha, Educador Físico, Massoterapeuta, Pós-Graduado em Acupuntura e Certificado pela escola Internacional Functional Patterns.

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